Rebelde NET-02-2

Pornografia, o falso prazer

Para mim a pornografia e o erotismo foram recursos fáceis para obter prazer. Disso não deveria vir nenhum problema, achava eu. De vez em quando recorria a videos ou imagens e isso excitava-me, ajudava-me a masturbar-me e a ter orgasmos. Sentia-me culpada por isso, escondia esse facto de todo o mundo por vergonha. Durante muitos anos não consegui ter um orgasmo com um parceiro. Tinha algum prazer sim mas para poder atingir um orgasmo tinha de fazer um filme na minha cabeça, uma viagem mental onde eu própria criava o meu filme.

Durante muito tempo eu sentia muito pouco, achava que era frígida, limitada no prazer. Não entendia porque muitas das minhas amigas falavam do tanto prazer que tinham e eu ficava sentindo aquele pouquinho e para ter uma explosão tinha de pensar em algo que não era real naquele momento. No acto sexual com o meu parceiro eu estava com a cabeça longe dali, imaginando qualquer fantasia que me entusiasmasse no momento. E era ruim ter de precisar disso para sentir. Era uma frustração para mim. Para além de ter consciência que não era normal, que não podia ser normal precisar daquilo.

Mas o que poderia ser feito? Li vários artigos a respeito da falta de prazer e sobre frigidez. Morria de medo de ser frígida. Queria resolver o problema e não sabia como. Mais, em qualquer filme erótico que eu via eu queria ser aquela mulher sexual, sensual, desejável. E a imagem para mim significava muito, eu achava que aquela imagem de boazona era a única maneira de atrair um homem. Foram muitos anos assim. Até descobrir que o meu corpo tem capacidade para ter prazer, e muito, sem ter de usar um recurso fora dele, até perceber que não é a minha imagem que me traz amor e que o meu valor vai muito além disso.

Na verdade, eu não percebia que ao recorrer à pornografia eu camuflava a minha desconexão do meu corpo, de mim mesma, e a minha falta de capacidade de me entregar ao meu corpo numa relação sexual. Só vim a perceber a realidade do meu corpo quando comecei a fazer Bioenergética. Aí progressivamente eu comecei a sentir. Agora não é um prazer gerado na cabeça, é o meu corpo que sente. Um prazer sem comparação, que cada vez vem mais das entranhas, que se espalha pelo meu corpo e que aumenta a minha energia para tudo na vida. Tem sido uma revolução para mim viver a minha sexualidade de forma mais conetada com o que acontece em cada momento, em cada transa, com o meu coração e com o parceiro, olhando no olho. Uma escolha pelo sentir em vez do pensar. Devo isso a mim, às minhas escolhas e sem dúvida à Bioenergética que me devolveu a conexão com o meu corpo e com a minha energia.