Rebelde NET-06

O prazer de ter mais vida no corpo

Sentir. Se tem uma coisa que podemos afirmar que fazemos é isso: nós sentimos. Afinal, rimos, choramos, gritamos, nos apaixonamos, enfim, estamos em frequente contato com nossos sentimentos. Mas será que isso é tudo? Até onde vão essas emoções? E quanto de nós existe nisso? Desde que conheci a Bioenergética, fui cada vez mais tendo a certeza do quão profundo é o significado de “sentir” e, nesse processo, quanto tenho para aprender e para perceber em mim mesma. Quando encontrei o Namastê, estava em outro caminho, no 3º ano da faculdade, buscando terapias para me realizar como uma psicóloga, eu estava tão na cabeça, tão presa em falsas compreensões, que foi difícil aceitar e entender o quão desconectada eu estava do meu corpo e das minhas verdades. Com o tempo, fui me soltando e me entregando na terapia e, com isso, me sentindo mais eu. Comecei a sentir meu corpo de forma tão diferente, que além de chorar mais, rir mais, me apaixonar mais, fui tomada também por um tesão enorme. Um tesão que eu não sabia que eu tinha, uma energia sexual tão forte que me assustei de início e comecei a me sentir muito estranha com aquilo. Logo que isso veio, eu estava me encontrando frequentemente com uma pessoa. Quando fiz uma sessão individual e saí com a sensação de estar com minha pélvis fervendo e minhas coxas trêmulas, nesse dia tive um encontro com essa pessoa e tive uma experiência sexual que nunca vou saber explicar em palavras. Ao mesmo tempo em que sentia meu corpo tomado por essa energia, eu sentia também cada mínima parte do meu corpo que essa energia passava, a sensação era que tinham umas “ondas de vibração” na altura do estômago, peito quente, uma viagem total… Um sentimento que nunca havia tido, nem nas experiências com drogas que eu costumava usar e que cheguei acreditar algum dia que me traziam prazer. Na verdade, foi nesse momento que percebi a diferença entre o prazer que eu tinha antes com a droga e o prazer que eu tenho simplesmente por estar presente e querendo sentir meu corpo de forma mais verdadeira. Parece que ali foi uma virada de chave. Quando vi, fiquei ali com aquela pessoa por 4 horas, e subitamente me veio muito medo. No início, foi um caos: comecei a atribuir aquela experiência à pessoa. Pra mim, era um deus grego do sexo, experiente, sensível, perfeito. No pensamento: nunca vou achar alguém como ele! Junto com isso, veio todo o pacote do moralismo e caretice, uma vontade de ter a pessoa, de me apropriar daquilo que tinha me trago tanto prazer. Sem entender ainda que esse prazer só é possível se estou ali por mim e para mim, trocando com o outro, mas nunca movendo minha energia exclusivamente para o outro. Até que no próximo encontro… Não foi aquilo tudo! Eu não estava muito bem, e fui tentar forçar para que aquela energia voltasse, mas só o que vinha era uma fissura, uma doideira minha pelo ato sexual; o que na verdade me deixou com tesão também, mas não era a mesma energia, não era aquela sensação de não caber no próprio corpo, de esquecer que existe tudo; era bem diferente, uma coisa mais carnal mesmo. Ali pude perceber o quanto é minha essa energia, o quanto depende de uma entrega minha, uma confiança minha. Sempre que eu estiver numa abertura com meu corpo e meu ser, vai ser lindo compartilhar com alguém e ver essa energia aumentar, mas a partir do momento em que se atribui aquele prazer e aquela entrega ao outro, é quando nos anulamos e anulamos nossa possibilidade de ser mais e sentir mais esse prazer e êxtase.

por Dharini